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A música na clínica junguiana

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  E se começarmos esse artigo de um jeito um pouco diferente? Provavelmente você está aqui, lendo através de seu celular, ou com ele do lado. Então gostaria de propor que aponte a câmera para o QR Code ou cole o link no seu navegador:   https://www.youtube.com/watch?v=I-OSSbcVgh8   O quanto uma música pode falar, traduzir, comunicar? O efeito que a música causa em nós é passível de visualizações físicas: choros, risos, rubores, raiva... Essas expressões acontecem através do acesso de imagens arquetípicas, que mobilizam ou constelam complexos em nosso psiquismo, e, a partir desse fenômeno pode-se produzir muito no setting terapêutico. Pouco se fala sobre o uso da música na clínica junguiana ou até mesmo setting terapêutico, mas, música se compõem com ritmo, velho conhecido de cada um de nós: desde o útero materno. É sabido que o bebê reconhece a voz e os batimentos cardíacos da mãe enquanto está em formação, no útero, e lá dentro já está em contato com as puls...

Uma análise à luz junguiana sobre como a necropolítica pode ser impulsionada pela pandemia de covid-19 no Brasil

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Na história recente do Brasil, passamos por um período de muito contrastes entre posicionamentos opostos e conflitantes, que expuseram luzes e sombras, desde pessoas a instituições e coletivos, e, para além disso, evidenciaram mortes. No ano de 2018, período de campanha eleitoral, vimos “guerras virtuais” sendo travadas e reverberando nas ruas. Após as eleições, posicionamentos que contrastam luzes e sombras continuam aparecendo, porém, as consequências de tais posicionamentos também. Passados quatro anos, números que derivam de fatos agora são evidentes, e, no meio do caminho, tais escolhas políticas encontraram um vírus, o Covid-19, que impulsionou os planos de necropolitica. Mais a diante, vou discorrer sobre a necropolitica através de um prisma que encontra fundamentos nas bases da psicologia junguiana. Porém, antes preciso expor alguns dados e conceitos para depois evidenciar tais relações. Peço calma ao leitor que se encontra interessado nas obras de C. G. Jung, elas estarão disp...

Ensaio sobre o tempo

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  “Compositor de destinos Tambor de todos os ritmos Tempo, tempo, tempo, tempo Entro em um acordo contigo Tempo, tempo, tempo, tempo Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo, tempo, tempo, tempo És um dos deuses mais lindos Tempo, tempo, tempo, tempo” (Caetano Veloso) O fuso horário foi inventado em 1884, para que a modernidade pudesse fluir de forma conjunta: trens e navios precisavam ser carregados assim que chegassem, pessoas precisavam viajar, reuniões haviam de serem marcadas… tempo agora era dinheiro e não poderia ser desperdiçado. Ou seja, a necessidade de padronizar o tempo surgiu junto com a economia capitalista (MARTINS, 2008). Mas seria esse tempo, um “tempo capital”, o mesmo da psique? Jung, no documentário “Face to face” (1959), afirma que a psique não é limitada pelo tempo e espaço da consciência e, portanto, não vive dentro desses limites. Do mesmo modo, conclui que é adequado pensarmos de acordo com as linhas da natureza, considerando que temos uma vida qu...