Mobília e ilusão
O fato é que quando perguntei a você como chegava ao endereço que tinha anotado já te imaginei explicando o endereço que moraríamos juntos, até o fim das nossas vidas. Na minha imaginação mobiliei nossa casa. Comecei pelo nosso quarto: a cama, o guarda-roupas, a TV e toda a decoração, desde quadros na parede até caixas organizadoras. Depois imaginei a sala, a cozinha, nossas louças, os talheres, as plantas... e todo o resto da nossa casa. Acho que fiquei maluco por uns dias, toda loja que passava em frente via algo que combinaria perfeitamente com nós e sentia vontade de comprar aquele objeto. Até comprei um relógio-cuco nesses antiquários para ficar na nossa biblioteca, deixá-la com um ar de “filme antigo”. Imaginei até a caminha do cachorro, mas o nome eu não escolhi, deixei para que fizéssemos juntos.
No final, descobri que coloquei muita mobília dentro da nossa casa. Muitas coisas só servem para juntar pó e aumentar as chances de bater o dedinho do pé. Muita mobília e ilusão.
Autora: Alethéia Skowronski
Imagem retirada da internet

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